Saúde no Brasil

Ao contrário do que muitos pensam e divulgam sem a menor ideia do que estão falando, a saúde pública é um sistema falido por vários motivos, entre eles o jogo de quem ganha mais com o dinheiro do povo brasileiro ou quem leva mais vantagens.

Muitas pessoas que por algum motivo tiveram privilégios nesse sistema, ou por conhecer algum médico que lhes tenham indicado a outros médicos amigos que trabalham na saúde pública, e assim sendo, furaram as filas para serem atendidos, ou que tiveram a sorte de nunca terem um problema sério de saúde, que implicassem em exames de alta complexidade ou cirurgias, essas pessoas, bem como o governo, divulgam informações totalmente errôneas sobre a saúde pública.

Por dia morrem mais de 200 pessoas no interior do Amazonas, No Rio e São Paulo pessoas morrem em filas dos hospitais públicos, pessoas ficam esperando anos para fazer um tratamento oncológico, terapias ou exames e cirurgias eletivas, hospitais do SUS todos os dias estão com corredores lotados e falta de médicos comprometendo o atendimento, só em 2011 mais de 6.000 pacientes morreram de infecção hospitalar em hospitais públicos no Rio de Janeiro, as pessoas são atendidas no chão dos hospitais e morrem constantemente no Piauí.

Muitas famílias travam guerras judiciais contra hospitais quando são cobradas por cirurgias que fizeram sem terem os custos claramente definidos antes do início dos procedimentos cirúrgicos, e depois da cirurgia realizada, os valores cobrados são totalmente absurdos a realidade.

Os médicos valorizam seus diplomas, são raras exceções que atendem por caridade, uma consulta rápida para solicitar exames ou remédios pode custar de R$ 100,00 à alguns mil reais, as pessoas sem poder aquisitivo não tem acesso a esse grupo seleto de profissionais e as que têm acesso, na maioria das vezes se sentem constrangidas em negociar esses valores, assim é construído um mundo totalmente supervalorizado.

Os custos médicos e hospitalares aumentam descontroladamente e muito mais do que qualquer índice de reajuste monetário do país que gira em torno de 6% a 12% ao ano.

A ANS (Agencia Nacional de Saúde) não se envolve nos reajustes empresariais e a população fica a mercê dos aumentos absurdos que são praticados anualmente, utilizando o índice VCMH (Variação dos Custos Médicos e Hospitalares) que atualmente gira em torno de 19%.

Somente 23% da população brasileira são atendidos por planos de saúde. Contratar um plano de saúde está se tornando algo intangível até para a classe média, se não fossem as empresas oferecerem esse benefício aos seus colaboradores, teríamos um índice muito menor de usuários do sistema suplementar de saúde no Brasil.

Futuramente poucas pessoas físicas e jurídicas poderão pagar um plano de saúde, provavelmente se tornará um objeto de desejo da classe média e algo totalmente intocável pela população carente, do jeito que estamos caminhando em pouco tempo entraremos em um colapso, um verdadeiro caos da saúde.

Em 1999 quando passou a vigorar a lei 9656 da Agencia Nacional de Saúde, o objetivo era regulamentar os processos e coberturas dos planos de saúde de todo o Brasil, colocar um basta nos abusos que existia na época em relação ao valor que se pagava pelo plano e o que se tinha de cobertura no contrato, ou seja, pagava-se muito pelo que se cobria, como exemplo, não havia cobertura de órtese e prótese, nem UTI 365 por ano, algo que não deixava o usuário  tranquilo, sempre que utilizasse o plano teria que pagar um ou outro procedimento mesmo tendo plano de saúde, como por exemplo o material cirúrgico ou uma parte da estadia nos hospitais.

Com o tempo a ANS realmente ajudou a população e balizou as regras que até então eram diferentes para cada operadora ou seguradora de saúde (sem prejudicar tanto o sistema de saúde suplementar), mas em um determinado momento, talvez pela falta de estratégia da ANS e seu desconhecimento do processo global, ou seja, como funcionam as coisas nas operadoras, seguradoras, hospitais, laboratórios, consultórios médicos e a relação que todos esses tinham com seus usuários pessoa física ou jurídica, ocasionou um desequilíbrio entre as partes, onde o que vale atualmente é a sobrevivência, a luta de quem ganha mais ou quem perde menos.

O mercado de saúde se mostrou nestes últimos 10 anos um mercado totalmente desunido, não existe alianças para tentar melhorar o processo, nem na Agencia Nacional, nem entre operadoras, seguradoras, hospitais e laboratórios que querendo ou não passam pelos mesmos problemas e conflitos.

A cada Rol de procedimento imposto pela ANS todos os anos, existe um repasse não negociável na tabela de preço das operadoras e seguradoras, os índices de reajustes anuais para os contratos empresariais, também sofrem por causa de uma previsão de gastos referente ao novo rol.

A possível solução seria juntar forças entre as partes, ter um especialista de cada operadora e seguradora dentro da ANS para discutir os impactos de cada rol sugerido, não existe outra forma de fazer do negócio de saúde, algo rentável para todos, inclusive para os clientes.

Temos de levar em consideração que as operadoras e seguradoras são empresas privadas e que lutam e necessitam de resultado positivo, atualmente a média de lucro gira em torno de 5% ao ano, essa margem se torna impraticável quando analisamos que para se diferenciar dentro do mercado, as operadoras e seguradoras precisam inovar e se reinventar a cada dia.

Para esse mercado se reinventar ou inovar seria oferecer serviços que os concorrentes ainda não oferecem, para isso precisam firmar parceria com prestadores terceirizados que também precisam ter lucro sobre o serviço oferecido. Não existem segredos e receitas de bolo para tudo isso, cada dia se torna mais difícil conciliar maiores margens com mais serviços inovadores.

Mas se as empresas do mercado internacional conseguem ver um mercado promissor aqui no Brasil, podemos ainda ter esperanças, vemos a Amil ser comprada pela UnitedHealth Group dos USA, A Marítima passar o controle acionário para o grupo japonês Sompo e a Intermédica recentemente ter sido vendida para a Bain Capital também dos USA. Talvez não consigamos perceber ainda essa luz, por não termos informações privilegiadas, mas esperamos que exista uma luz no fundo do túnel para a saúde.

A posição das corretoras e consultorias neste mundo, também é de se diferenciar entre elas, oferecendo serviços e soluções para promover a saúde e prevenção nas empresas clientes, firmando cada dia mais o relacionamento entre as três partes, operadoras / seguradoras, consultorias/corretoras e clientes, quem sabe um dia a forma geométrica passe a ser um círculo e não mais um triângulo, pois o circulo significa que todos tenham a ciência de onde cada um dos envolvidos no processo pode contribuir.

ANS – Deveria se preocupar em gerir o atendimento das operadoras e seguradoras, bem como a saúde financeira e a conduta delas. Além disso, gerir a saúde pública para que a maior população que não tem condições de pagar um plano de saúde possa ter no mínimo um acesso digno. Outro ponto importante que deveria ser visto pela agencia, seria averiguar as tabelas de venda dos fornecedores de medicamentos e materiais cirúrgicos para hospitais, laboratórios e médicos, deveria ser criada uma lei onde a as tabelas de preços fossem abertas para os consumidores que pagam de forma particular e também para as operadoras de planos que teriam a obrigação de abrir isso aos seus clientes, assim evitaríamos o superfaturamento dos medicamentos e materiais cirúrgicos, pois os hospitais, laboratórios e médicos deveriam ganhar sobre os serviços prestados e sua estrutura (hotelaria)e não sobre os materiais e medicamentos.

As Operadoras e Seguradoras – Deveriam se preocupar em prestar o melhor atendimento possível para seus clientes, criando maior agilidade nos processos e estratégias de prevenção para PF e PJ melhorando a remuneração de seus prestadores de todos os lados ( hospitais, laboratórios, médicos e corretoras )de forma a garantir um melhor serviço na ponta.

As Corretoras e Consultorias – Deveriam além de comercializar planos, ajudar no processo de gestão de saúde dentro das empresas, minimizando a utilização indevida e reduzindo o custo das operadoras, bem como levar soluções estratégicas para cada tipo de contratação e deveriam treinar melhor sua equipe de venda e de atendimento.

Os Hospitais, Laboratórios e Médicos – Deveriam utilizar o bom senso nos reajustes de suas tabelas, visando atender com qualidade e rapidez, utilizando materiais e medicamentos de qualidade com menor, que os valores fossem coerentes com a realidade do país, ajudando a cadeia como um todo.

Os Fornecedores de medicamentos e materiais cirúrgicos – Deveriam sempre se aprimorar e buscar recursos e inovação, a ponto de não precisarmos mais depender da importação em alguns casos.

Os Usuário/Beneficiário – Deveriam continuar exigentes quanto à qualidade de atendimento e rapidez no processo, mas utilizar o plano de saúde com maior sensatez, mais preocupação com a cadeia toda, pois no final todo custo desse processo é pago pelo próprio usuário Pessoa Jurídica ou Física e sem consciência de todos o Brasil não poderá melhorar a saúde.

Marcelo Salvo – Especialista em Saúde

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Entrevista Sobre Mercado de Saúde

Entrevista para o programa Fino Trato do Canal UOL


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Seleção Brasileira de Futebol X Organizações

Muitas vezes tiramos lições de onde nunca achávamos que poderíamos.

As empresas deveriam aprender com o resultado final da seleção brasileira de futebol.

Os jogos que assistimos da seleção brasileira de futebol este ano, pôde nos ensinar muito mais do que pareceu.

Tínhamos 23 jogadores de alto nível técnico e profissional, um líder que trás em seu currículo 50% de sucesso de tudo o que fez e mais um título da copa do mundo de 2002.

Se fizermos uma analogia entre seleção e a forma com que as organizações conduzem seus negócios no Brasil, poderemos chorar como algumas pessoas fizeram na derrota da seleção ou utilizar como aprendizado para começarmos a repensar o futuro.

Qualquer semelhança é pura coincidência:

  • Contratar um líder com bom histórico, oferendo diversas limitações e esperar que ele resolva todos os problemas.
  • Ter muitas estrelas dentro da mesma equipe, que tenham mais poder do que o líder.
  • Ter muitas estrelas no mesmo local, e esperar que elas se espelhem uma nas outras, isso é difícil de acontecer, pois o normal é que elas disputem volume de luz no ambiente.
  • Acreditar que só porque todos são estrelas consagradas, não precisem se reunir e treinar com maior frequência.
  • Ter uma equipe e um líder que acredite que tudo dará certo, sem planejamento e estratégia.
  • Acreditar que uma estrela mais luminosa dentre as outras, consiga mudar o resultado de uma equipe.
  • Achar alguém para colocar a culpa ao invés de dividir com todos os integrantes a culpa pelo resultado da equipe.
  • Permitir que o líder ao perceber seu erro não tenha outras estratégias (plano B, plano C, etc…).
  • Manter assistentes que tenham medo de alertar um erro do líder.
  • Permitir que o líder não tenha substitutos de qualidade para cada um da equipe, ou seja, na ausência de uma estrela da equipe a empresa correr o risco de parar ou perder dinheiro até que essa estrela seja substituída.

Essas falhas primárias, justificáveis ou não, talvez ainda aconteçam, porque algumas empresas mesmo cometendo esses erros ainda atingem suas metas. Sendo assim, ficam algumas perguntas sem repostas:

Por quanto tempo? Sorte? Momento? Mercado? O que dizer?

Quem sabe se o Felipão em 2002 já cometia esses erros e só agora que perdemos um titulo é que conseguimos entender onde estão os gaps dessa fraca administração.

Marcelo Salvo

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